FAJE
Mensagem do Reitor

Há trezentos anos, um grupo de humildes pescadores retirava de suas redes o corpo e, a seguir, a cabeça da pequena imagem em terracota de Nossa Senhora da Conceição. Esta imagem, “aparecida” das águas do Rio Paraíba, tornou-se, ao longo das décadas, um dos grandes símbolos de fé do Continente Latino-americano. A ela acorrem agradecidas multidões de fiéis, que se tornaram capazes de enfrentar a dor, o sofrimento, a separação e a insegurança, graças à intercessão da Virgem junto a Deus. Nossa Senhora Aparecida constitui, portanto, um ícone do Mistério divino e um dos polos de contato mais intensos com este Mistério, surgido na história de nosso país. Ao recordarmos este acontecimento religioso, na capa do Ano Acadêmico 2017, desejamos incentivar o estudo Filosófico e Teológico do fenômeno religioso em geral e, em particular, da presença da Virgem Aparecida na cultura brasileira.

A questão ganha especial relevância quando nos perguntamos, por exemplo, pelo lugar da mulher nas igrejas e nas religiões. Ou, ampliando mais o olhar, quando fazemos o mesmo exame nas diversas instituições da sociedade, no mercado de trabalho, na vida política e no cenário cultural. Pensemos nas instituições de ensino superior brasileiras, uma vez que somos uma delas. Onde e como estão presentes as mulheres e com que desafios esta presença-ausência nos confronta? A resposta a este problema complexo não parece ser uma “igualdade” sem nuances, mas a promoção de presença equilibrada, de reconhecimento da mesma dignidade, de defesa das diferenças e da complementariedade dos dons pessoais, na busca comum da verdade. Espero, portanto, que o tricentenário da Virgem Aparecida inspire reflexões, pesquisas e discussões sobre este acontecimento suis generis. Primeiramente, dedicando-nos às suas decorrências religiosas, sem, no entanto, ocultar as repercussões ou inconsistências presentes em nossas relações.

Outro tema de trabalho será o da busca do bem comum, no contexto político-econômico das sociedades contemporâneas. Boa parte da programação do ano encontra-se situada neste horizonte instigante. A “riqueza” material e cultural pode crescer indefinidamente, mas será espúria se não houver equilíbrio distributivo, correção das diferenças sociais que impedem o desenvolvimento das capacidades humanas e reconhecimento diferenciado dos méritos dos agentes sociais. E esta tarefa, cujo nome é Justiça, será honrada à medida que a finalidade das ações econômicas e políticas encontrar-se guiada por exigências éticas e religiosas, que apontam para o bem comum da sociedade. E se há busca do bem comum, há reconhecimento da absoluta dignidade do ser humano e vice-versa.

Outras questões brotam das anteriores. Precisamos com urgência refletir sobre o papel da autoridade em nossas sociedades e sua função de promoção da justiça. E também vencer a surdez e a cegueira dos que negam a relevância da questão ecológica para o futuro do planeta e da humanidade. E, ainda neste sentido, promover e apoiar novos modelos de desenvolvimento, que surgem em distintos países, guiados por uma compreensão cada vez mais aprofundada da questão do trabalho e apoiados em motivações humanistas e religiosas. Qual deve ser a nossa contribuição em tais discussões?
A comunidade acadêmica da Faculdade Jesuíta terá ocasião de dedicar-se a estas questões em mais um ano intenso. Esperamos e incentivamos a todos neste sentido, para que seja um tempo de novos encontros e projetos de pesquisa, no horizonte acima descortinado. Aproximemo-nos, unamos nossos esforços, gerando valores compartilhados e, em consequência, amizades duradouras. O futuro melhor, por meio da promoção do bem comum, depende de criatividade para aprofundar nossos modos de convivência. O tecido social brasileiro, tão desgastado, precisa de pessoas capazes de viver como amigos e amigas, numa perspectiva maior do que a dos próprios interesses e aspirações. O ideal do bem comum nos chama e nos provoca!

 

 

Álvaro Mendonça Pimentel SJ
Reitor

                                             

               

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