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FAJE discute relação entre Teologia e Diversidade afetivo-sexual 21/11/2017

O auditório Dom Helder Câmara, da FAJE, ficou lotado no último dia 16, para o painel sobre “Teologia e Diversidade Afetivo-sexual”. O evento, promovido pelo grupo de pesquisa do Programa de Pós-graduação em Teologia da FAJE, que tem como orientador o professor Élio Gasda, contou com a presença de professores, alunos, pesquisadores, representantes de diversas religiões e entidades da sociedade civil, e do reitor Pe. Álvaro Pimentel. Na opinião dos organizadores, a atividade foi um marco na teologia, quebrou paradigmas e atendeu um desejo do papa Francisco: “Alegra-me que falemos sobre as pessoas homossexuais, porque, antes de mais nada, existe a pessoa individual em sua totalidade e dignidade.”

O diálogo entre a teologia e a sociologia teve como interlocutores o teólogo André Musskopf (EST) e a socióloga e antropóloga Berenice Bento (UNB). Berenice construiu o seu discurso a partir do depoimento da transexual Giovanna Eliodoro. Giovanna, que é estudante de história, narrou a realidade das pessoas excluídas, marginalizadas e violentadas por sua identidade sexual e por sua cor. Lembrou que a violência de gênero, o machismo e a discriminação por razões de sexo não são invenção ideológica; existe em corpos. Negra, da periferia e trans, Giovana concluiu sua fala questionando: “e agora, o que vocês vão fazer com meu corpo? Eu estou aqui, eu sou uma pessoa, eu existo e resisto.”

Os painelistas desconstruíram a narrativa de correntes de perfil conservador que criaram a narrativa denominada “Ideologia de gênero” e apresentaram uma perspectiva política pelo viés de gênero. Berenice Bento, que apresentou aos presentes seu último livro Transvi@dos: gênero, sexualidade e direitos humanos, denunciou o assassinato de mulheres, pessoas trans e travestis no Brasil. A socióloga não exitou em afirmar que a Lei do Feminicídio deixa claro, que por aqui não se pretende discutir o problema, o importante é encarcerar o homem, pois matar é o seu papel e o da mulher é morrer.

André Musskopf destacou que toda teologia é um discurso sexual, ou seja, construída sobre compreensões e a partir de “metáforas sexuais” (Althaus-Reid) que expressam e promovem um determinado tipo de práticas e relações em detrimento de outras. Lembrando o massacre de Orlando, o estupro de uma adolescente por 30 homens e o menino negro amarrado ao poste, Musskopf defendeu a necessidade de fazer teologia a partir dos corpos violentados, discriminados e marginalizados. Após abordagens convergentes, dezenas de questões foram apresentadas por escrito aos painelistas, o que demonstra o interesse e a seriedade dos participantes.

A Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia, animada pela Igreja em anunciar o Evangelho no mundo da diversidade afetivo sexual, acolheu lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais e transgênero, seguindo assim a dinâmica do papa Francisco: “Acolher, acompanhar, estudar, discernir e integrar”. A pastoral do século XXI é aquela que vai ao encontro do reconhecimento de todos e todas, pois, “cada pessoa, independentemente da própria orientação sexual, deve ser respeitada na sua dignidade e acolhida com respeito, procurando evitar qualquer sinal de discriminação e, particularmente, toda forma de agressão e violência” (Amoris Laetitia, 250).


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