Comunicado Mensal – Novembro de 2022

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Tempo de pensar e viver em profundidade

Elton Vitoriano Ribeiro SJ, Reitor

Sempre fui fascinado pelos primeiros versículos do capítulo terceiro do livro do Eclesiastes: “Há um momento para tudo e um tempo para todo propósito debaixo do céu. Tempo de nascer e tempo de morrer; tempo de plantar e tempo de arrancar a planta. (…) Tempo de chorar e tempo de rir; tempo de gemer e tempo de bailar. ” As palavras do livro bíblico nos alertam para o ritmo temporal da vida humana numa sequência misteriosa na qual os contrários se entrelaçam como numa dança e com isso geram a história. Somos seres históricos que se compreendem por meio de narrativas, também elas, históricas.

Se tudo tem seu tempo, para nós da FAJE, sempre é tempo para começar a pensar e viver em profundidade. Olhar a vida, a história, os acontecimentos cotidianos com um desejo de penetrar no mais profundo e perguntar pelo sentido. Filosofia e teologia, cada qual em seu âmbito, possuem esta vocação: pensar e viver em profundidade. Por isso, começamos a divulgação dos nossos cursos do próximo ano em Filosofia e Teologia, nos vários ciclos que oferecemos (graduação – licenciatura, mestrado e doutorado). Para nós da FAJE, mais do que um diploma e uma profissão, tão necessários em nossa sociedade, queremos que nossos cursos abram caminhos, para pensar e viver em profundidade.

Além dos cursos, especialmente no mês de outubro, tentamos Encantar a Política. Mês de eleições, mês do nosso Simpósio Internacional Filosofia e Teologia no Brasil, hoje: questões, desafios e tarefas, encantar a política torna-se um dever cidadão no Brasil atual. As conferências e diálogos do nosso simpósio nos ajudaram a encantar nossa política, quer dizer, desejar o bem e agir na direção do melhor. Fazemos isso, também, juntos com o Projeto Encantar a Política da CNBB https://www.cnbb.org.br/wp-content/uploads/2022/05/Cartilha-Encantar-a-Politica.pdf.

O simpósio, como o projeto da CNBB, nos recordam que cuidar da casa comum, que a amizade social, que a solidariedade, que a justiça, caminham juntas com a evangelização e o amor ao próximo. Nas palavras do Papa Francisco: “É caridade acompanhar uma pessoa que sofre, mas é caridade também tudo o que se realiza – mesmo sem ter contato direto com essa pessoa – para modificar as condições sociais que provocam o seu sofrimento. Alguém ajuda um idoso a atravessar um rio, e isto é caridade primorosa; mas o político constrói-lhe uma ponte, e isto também é caridade. É caridade se alguém ajuda outra pessoa fornecendo-lhe comida, mas o político cria-lhe um emprego, exercendo uma forma sublime de caridade que enobrece a sua ação política (Fratelli Tutti, n. 182) ”.

Tudo tem seu tempo debaixo do sol, também as despedidas. No dia 13 de setembro celebramos o falecimento, a páscoa, do Padre João Mac Dowell. No site da FAJE encontramos o necrológio: “Padre Mac Dowell se distinguiu em seus trabalhos acadêmicos na área de Filosofia e na direção de diferentes instituições de educação jesuítas. Nasceu em Belém do Pará, em 09/06/1934. Estudou no Colégio Nóbrega, em Recife, e concluiu o ensino médio no Colégio Santo Inácio do Rio de Janeiro. Em 1950 ingressou na Companhia de Jesus. Cursou Filosofia no Colégio Anchieta de Nova Friburgo, onde posteriormente lecionou. Em 1963 fez o Mestrado em Teologia em Frankfurt, Alemanha, e em 1968 o Doutorado em Filosofia na Pontifícia Universidade Gregoriana de Roma.

Ao voltar ao Brasil, trabalhou entre 1968 e 1974 na Faculdade de Filosofia Nossa Sra. Medianeira, em São Paulo, onde lecionou e foi Diretor do Departamento e depois da Faculdade. Em 1975 iniciou sua atuação na PUC-Rio, como Vice-Reitor para Assuntos Acadêmicos. Foi nomeado Reitor em 1976, aos 42 anos de idade. No período em que esteve à frente da PUC-Rio foi membro da Comissão Nacional de Pós-Graduação (1977 a 1979), do Diretório do Conselho de Reitores das Universidades Brasileiras (1977 a 1979), do Conselho Internacional das Universidades Católicas (1978 a 1980) e da Comissão de Reintegração dos Professores Cassados pelo AI-5 do MEC (1979 a 1980).

Após seu período como Reitor da PUC-Rio, foi Provincial da Província dos Jesuítas do Centro-Leste. Em seguida, foi pesquisador no Centro João XXIII, IBRADES, no Rio. Entre 1990 e 1998 foi Membro do Conselho Geral e Assessor do Superior Geral para a América Latina da Cúria Geral da Companhia de Jesus. Foi fundador da Academia Brasileira de Educação e da Sociedade Brasileira de Filósofos Católicos. Foi Presidente do Conselho Deliberativo do Instituto Cultural Brasil-Japão.

Desde 1997, atuava na Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia, onde foi reitor e professor no Departamento de Filosofia. Fundou o Programa de Pós-graduação em Filosofia da FAJE (2006) e esteve à frente como editor, por vários anos, da Síntese, Revista de Filosofia. Ficou reconhecido por suas pesquisas sobre Tomás de Aquino e Heidegger. Também esteve à frente do memorial Pe. Vaz. Coordenou o exigente trabalho que tornou possível a publicação das obras inéditas”.

Nas palavras da Professora Dra. Cláudia Rocha de Oliveira, coordenadora da Pós-Graduação em Filosofia da FAJE, publicadas no site da ANPOF: “Embora dono de um currículo impressionante, o professor João Mac Dowell era uma pessoa muito simples e acessível. Estava sempre disponível. Procurava encorajar a todos. A expressão “Coragem, coragem” ficou conhecida como seu “lema”.  Preocupava-se em garantir condições para que os estudantes pudessem realizar os cursos. O mais importante, para ele, era que as pessoas pudessem ter acesso à formação de qualidade. Nunca deixava que nos desanimássemos. Impressionava sua capacidade de trabalho e sua modéstia. Muitas vezes trabalhava nos bastidores, sem obter nenhum reconhecimento. Pessoa integra, doou-se até o fim ao ensino e à pesquisa. Somos privilegiados por ter tido a oportunidade de assistir como estudante suas aulas e de desfrutar de sua presença como colegas de trabalho. Sua partida deixará uma saudade imensa. Sua presença sempre amiga, fará muita falta. Contudo, seu testemunho continuará a iluminar nossa caminhada. ”

Diante dos acontecimentos do tempo presente, nossos desafios e alegrias, nossos encontros e despedidas, nossos diálogos e silêncios, nada melhor, para nos lembrar que todo tempo é tecido de esperança e amor, que alguns versos de Carlos Drummond de Andrade: “Não há tempo consumido / nem tempo a economizar. / O tempo todo é vestido / de amor e tempo de amar”.  Que esse tempo propício que vivemos, hoje, seja tempo de pensar e viver em profundidade, amando!

Palavra do Reitor Novembro 2022  (PDF)

Palavra do Reitor Setembro 2022 (PDF)

Palavra do Reitor Julho 2022 (PDF)

Palavra do reitor maio 2022

Palavra do reitor Abril 2022.docx