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Toda teologia é pastoral

Elton Vitoriano Ribeiro SJ, reitor

Há 40 anos a Faculdade Jesuíta destaca-se como um centro de formação internacional de excelência nos estudos teológicos. Essa excelência teológica tem uma bonita história, feita por pessoas, especialmente professores e professoras, alunas e alunos, que fizeram da reflexão teológica algo importante para suas vidas, a vida dos outros e para a vida da Igreja. Desde o início da sua missão, a Faculdade de Teologia guiou-se pela máxima, tantas vezes citada pelo teólogo jesuíta Karl Rahner (1904-1984): Toda teologia deve ser pastoral e toda pastoral deve ser teológica.

A palavra Teologia, como tantas palavras do nosso vocabulário, veio do grego. Em grego Theologia (Theos = Deus e Logos = discurso) é o discurso sobre as coisas divinas. Teologia, portanto, é um termo pré-cristão que aparece, por exemplo, em Platão (República 371a) ao investigar a utilização pedagógica da mitologia no discurso argumentativo. A utilização do termo no discurso cristão parece estar associada à Escola Catequética de Alexandria, com Clemente (150-215 dC) e Orígenes (185-253 dC), ao reivindicar para o discurso cristão o título da verdadeira teologia. Com uma longa e instigante história, eu gosto de lembrar de um teólogo jesuíta contemporâneo, Hans Urs von Balthasar (1905-1988). Balthasar, em 1948, escreveu um artigo intitulado Teologia e Santidade, no qual argumentava que a linguagem teológica é uma linguagem crente, autoimplicativa e que não se pode dissociar daquele que a enuncia. Portanto, Teologia e Vida, Fé e Pastoral, Teologia e Pastoral, estão intimamente implicadas.

Toda essa preparação anterior é para falar da importância, neste mês de maio, do 2° Congresso Brasileiro de Teologia Pastoral que acontece na FAJE, mas que possui o apoio e a organização de uma infinidade de instituições católicas e eclesiais do Brasil. Neste ano, o Congresso possui como tema “A Sinodalidade no Processo Pastoral da Igreja no Brasil”. Ora, a sinodalidade é este esforço, bonito e necessário, de busca contínua de aprendermos a Caminhar Juntos como nos ensinou o Concílio Vaticano II (1962-1965) e nos exorta, constantemente, o Papa Francisco. Na verdade, é a experiência fundamental de colocar toda a Igreja à escuta dela mesma, em todas as suas realidades, com todas os seus filhos e filhas. O Congresso, também, quer ser uma preparação para o Sínodo de 2023 – Para uma Igreja Sinodal: comunhão, participação e missão. Portanto, nada mais pastoral, nada mais teológico, nada mais sinodal, do que um Congresso como esse.

Mas, o mês de Maio é, também, um mês rico em celebrações. Especialmente duas, por suas intensidades em nossas vidas, são importantes: o Dia do Trabalhador e o Dia das Mães. Nós da FAJE desejamos os parabéns às trabalhadoras e trabalhadores, e de modo especial, um afetuoso parabéns a todas as mães!

O Dia do Trabalhador é uma data comemorativa internacional que foi criada para celebrar e incentivar a conquista de melhores condições de trabalho. Num país como o Brasil, com um alto índice de pessoas desempregadas, algo ao redor de 12% da população com capacidade para trabalhar (dados do primeiro trimestre de 2022), é preocupante o desemprego. O trabalho é fonte de sustento, mas, também, fonte de realização pessoal e de empenho existencial em favor da humanidade. A falta de trabalho na vida de uma pessoa costuma trazer muitas dificuldades e tensões. Assim, celebrar e lutar por melhores e maiores condições de trabalho, no Brasil atual, é fundamental.

O Dia das Mães é um momento especial para celebrarmos, com um coração agradecido, a vida de nossas mães e a vida de todas as mães. A vocação, o trabalho e o cotidiano materno é feito de muita doação e entrega. Qualquer pessoa que teve que cuidar de um recém-nascido, por exemplo, sabe bem disso. O que recebemos de nossas mães, o dom de nossas vidas, é algo tão grandioso que todo agradecimento parece pequeno, mas necessário. Curioso que, no Brasil, essa festa foi celebrada pela primeira vez em 1918 e em 1947entrou para o calendário oficial da Igreja Católica. Portanto, nada melhor para encerrar essas Palavras do Reitor, nessa data tão especial, do que as iluminadoras palavras de Adélia Prado:

Minha mãe achava estudo
a coisa mais fina do mundo.
Não é.
A coisa mais fina do mundo é o sentimento.
Aquele dia de noite, o pai fazendo serão,
ela falou comigo:
‘coitado, até essa hora no serviço pesado’.
Arrumou pão e café, deixou tacho no fogo com água
quente.

Não me falou em amor.
Essa palavra de luxo.

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