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Prof. Pe. Johan Konings SJ

Com profundo pesar, a Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia (FAJE) comunica o falecimento do amado professor Pe. Johan Konings SJ, ocorrido neste dia  21 de maio de 2022, às 16 horas, em decorrência de um aneurisma cerebral. Desde o dia 20, ele estava internado no Hospital Madre Teresa, em Belo Horizonte.

O velório será realizado no domingo, a partir das 8 horas, no auditório Dom Luciano Mendes de Almeida, da FAJE (Av. Dr. Cristiano Guimarães,127, bairro Planalto, Belo Horizonte).

Às 13 horas, haverá um momento de oração e, às 15 horas, celebração da Eucaristia. O sepultamento será às 16:30, no Cemitério Parque Bosque da esperança.

A comunidade acadêmica da FAJE e os jesuítas agradecem as manifestações de solidariedade e carinho neste momento de profunda tristeza. Nosso amado irmão, Johan Konings, que tanto nos ensinou em tantos anos de convivência, agora, mergulha definitivamente no Amor Daquele a quem entregou toda a vida.

 

Johan Maria Herman Jozef Konings

Johan Konings nasceu em 4 de setembro de 1941, num pequeno povoado na Bélgica, na época, ocupada pelas tropas nazistas. Estudou Filosofia (1961), mestrado em Filologia Bíblica (1967), mestrado em Teologia (1967) e se doutorou em Teologia (1972). Em entrevista publicada no livro feito em homenagem por ocasião de seus 80 anos, em 2021, Konings falou sobre sua escolha de viver no Brasil: “Eu diria que minha opção por viver na América Latina se deu por certo senso de justiça e pela busca daquilo que é melhor diante da última instância. Explico: recebi muito, não como pagamento de meu esforço, mas de graça. Tenho de repartir isso o mais que posso. Para algumas pessoas justiça só serve para reivindicar, “aquilo que é meu direito”, mas para quem escutou bem Jesus, justiça significa partilhar e fazer render o investimento recebido. E isso, diante da última instância, que vê tudo e sabe o que é o que é sincero e honesto, justo e bom. Resumindo: na Europa havia padres demais, e na América Latina havia padres de menos”, explicou Konings.

O jovem sacerdote chegou ao Brasil em 1972; lecionou durante dez anos na PUC de Porto Alegre e, colateralmente, na Faculdade de Teologia dos jesuítas em São Leopoldo. Em relação a seu ingresso na Companhia de Jesus, Pe. Konings contou: “Nos primeiros dez anos no Brasil, ainda como padre secular ligado à minha diocese na Bélgica, trabalhei em diversas frentes – pastoral universitária, fui vice-diretor da faculdade de teologia, trabalhava na paróquia, no seminário… enquanto esperava um colaborador, que nunca veio. Percebi, então, que estava fazendo muita coisa sozinho. E decidi, quase que de um dia para o outro: eu não faço mais as coisas sozinho. Como já tinha muito contato com os jesuítas, decidi entrar na vida religiosa e, depois de um ano de colaboração com os jesuítas na PUC do Rio de Janeiro, fui para Cascavel (Paraná) fazer o noviciado e, em 1986, vim para Belo Horizonte, onde comecei a lecionar no Centro de Estudos Superiores, hoje a Faculdade Jesuíta, em Belo Horizonte”.

Ao longo dos anos, Konings dedicou– se principalmente à exegese dos Evangelhos, especialmente o de São João, e à hermenêutica e tradução da Bíblia. Foi organizador da Tradução Ecumênica da Bíblia (1994), da Tradução da Bíblia da CNBB (2001; atualizada como tradução oficial em 2018) e da tradução do Compêndio dos símbolos, definições e declarações de fé e moral (Denzinger-Hünermann) (2007; 2.ed. atualiz. 2013). Participou como perito na XII Assembléia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos em Roma (2008). Era membro da Society of New Testament Studies (SNTS) e da Associação Brasileira de Pesquisa Bíblica (ABIB).

Reconhecido nacional e internacionalmente como teólogo e biblista, Konings era um homem de presença amável, cordial, que gostava de uma boa conversa em torno da mesa com os amigos e uma taça de bom vinho.

Perguntado sobre como se via aos 80 anos, disse:

Acho que sou ainda o mesmo de quando tinha oito anos! Acredito que a gente continua sempre o mesmo… uma pessoa com muitos interesses, mas também muito realista quanto às limitações, que não pode fazer tudo aquilo que gostaria de fazer. Meus interesses ultrapassam de longe aquilo que posso assumir. Me vejo, sobretudo, como um trabalhador, não como um intelectual. Isso, eu aprendi em minha casa: o trabalho é a nossa razão social e, nesse sentido, nunca gostei muito de brilho, solenidades, coisas assim… Importa trabalhar o mais que se pode, e ter por perto pessoas que fazem boa companhia para, por um lado, aliviar a vida e, por outro, aprender a viver…. Isso é o que vejo em meus companheiros, amigos: esse contato com a vida, todos os dias, em todas as pessoas. É isso: trabalhar e viver.

Perguntado sobre “quem é Deus”, ele respondeu: “Alguém disse: “Die Unruhe meines Lebens”, a âncora – não aquela do navio, mas aquela que controla a mola do relógio – de minha vida. Eu diria, mais precisamente: Deus para mim é o fascínio de Jesus. A Deus ninguém jamais viu, mas o seu filho querido no-lo fez perceber, por suas palavras e ações, até o fim radical (João 1,18). Para mim, subjetivamente, é como eu percebo e preencho aquilo que se busca pelo codinome Deus; quer dizer, essa perspectiva de tudo que é bom e justo e dá sentido à vida não só da gente, mas de todas as pessoas. Ou seja, eu preencho a palavra “Deus” com aquilo que eu vejo e me atrai em Jesus.

E o que digo então depois de tantos anos? – Graças a Deus.”