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RECORDANDO OS MÁRTIRES JESUÍTAS DA UCA 17/12/2014

Há 25 anos morreram seis jesuítas, e junto com eles, Elba, colaboradora da casa, e sua filha Celina. Foram assasinados pelo exército, no campus da Universidade Centroamericana (UCA) – El Salvador, em 16 de novembro de 1989. Num contexto de guerra civil, seu trabalho e compromisso pela paz e pela reconciliação foi coroado pelo martírio. Deus nos deu a graça, mais uma vez, de participar na vida do povo ao qual servimos. A vida do povo salvadorenho, naquele momento, era feita de sofrimento, paixão, espera e luta pela paz. O compromisso daquele grupo de jesuítas com o povo oprimido gritou com mais força ainda, naquela experiência fatídica.

Qual tem sido o significado daquele testemunho matirial, ao longo destes anos? Quais foram os seus frutos? Faço estas preguntas, olhando para a atual situação social de El Salvador – o que, nas palavras do Pe. Ellacuría, um dos jesuítas assassinados, seria “hacerse cargo de la realidad” – “assumir (carregar) a realidade” – onde a violência continua a se proliferar de múltiplas formas. A morte de tantas pessoas foi em vão? Surgem, aquí, imediatamente, imagens de jovens, homens e mulheres simples, do campo e das periferias, apropiando-se desta memória, a cada ano, no campus da Universidade, iluminando a noite com velas e músicas, oração e celebração. Vejo também o trabalho responsável e generoso que se faz a partir da Universidade, de outras organizações civis e das próprias Igrejas, para justamente aprofundar e “assumir” aquela realidade. O legado dos mártires da UCA está vivo, e muitos cidadãos salvadorenhos testemunharam-me isso.

Estes cidadãos foram, e são!, homens e mulheres de uma Igreja mártir à qual Dom Romero pertence, capazes de reconhecer a íntima correlação entre a sua Fé e o engajamento em favor da Justiça Social, dimensões fundamentais do nosso carisma jesuítico, definido na Congregação Geral 32 (1974-75) da Companhia de Jesus. Em cada de 16 de novembro, eles transformam a UCA em lugar de encontro para comemorar os nossos mártires e reavivar o compromisso continuado e constante com a causa abraçada por eles. Que Ignacio Ellacuría, Juan Ramón Moreno, Joaquín López, Segundo Montes, Ignacio Martín-Baró, Amando López, Elba Ramos e Celina nos ajudem a manter viva a chama do serviço da fé e da promoção da justiça, pelos quais deram a vida.

Pe. José Mauricio Murillo Alvarado SJ
Membro da Província Centroamericana da Companhia de Jesus
Doutorando da FAJE

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